sexta-feira, 18 de abril de 2008

O povo chamado "noivas", e minha assesora Mi


Em muitos dias da minha vida eu me lamento por Salvador estar crescendo tão rápido, e ter se tornado uma cidade grande e desordenada, mal planejada, com tráfego de veículos insuportável quase todas as horas do dia.

Mas vejo neste momento da minha vida que apesar do tamanho, Salvador continua sendo aquela cidade pequena, onde fulano conhece beltrano que conhece cicrano. E isso dá uma certa segurança para contratar fornecedores, porque virando e mexendo dá pra encontrar ex-noivas que já fecharam com cada um deles antes. E para minha surpresa: dispostas a falar horas no telefone sobre cada detalhe de seu casamento.

Fiquei impressionada como as ex-noivas são solícitas. E imagino que não serei nem um pouco diferente. Penso que ao receberem o telefonema de uma "noivinha", virgem e inexperiente na arte do casar, se sintam magnânimas, fontes do saber, e aproveitem o momento para reviver o evento mais planejado de suas vidas.

Sim, acredito que quem fez festa de casamento nunca se dedicou tanto a outro evento por toda a vida. São tantos os detalhes, são tantas coisas pra escolher, pra selecionar, para pensar que mesmo para mim, que trabalhei com eventos grandes durante anos da minha vida, não conseguiria pensar em tudo e lembrar de tudo sozinha.

E aqui entra minha assessora, Dona Mi. E que ninguém venha me dizer que sem ela eu faria igual. Sou perfeccionista, mas não tenho experiência nisso. E a experiência e traquejo de alguém que vive disso, que ama isso, que faz tudo isso com paixão, vale muito. As vezes sinto como se fôssemos duas noivas. A diferença é que é minha primeira vez... hehehehehe. Ah! E que ela vai ser a noiva chata, exigente, perfeccionista enquanto eu estiver entre uma sessão de massoterapia e um banho de ofurô com o celular desligado, no dia da festa.

Mas acho que esse processo já vai mostrando o “casar”. Vai mostrando que a vida é bem mais cheia de detalhes do que a gente imagina quando é solteira e mora na casa da mãe. Mostra que planejar com os pés no chão é a melhor forma de ter tudo o mais próximo possível do que a gente quer. E mostra que ajuda de quem já viveu e de quem tem experiência nunca é demais.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Castigo Pré-nupcial


Toda noiva sabe que surpresas desagradáveis alguma hora vão aparecer. Pequenas e irrelevantes (mas monstruosas aos olhos de um ser ansioso e na fronteira de um breakdowns) ou, de fato grandes catástrofes. Dessa vez, por favor, não aceito ser taxada de dramática. Tudo que eu não precisava na minha vida agora era sofrer por morar numa casa de ferreiro com espetos de pau.

Eu realmente não precisava de catapora neste sublime momento de minha vida. Tá bem, eu sei o lado bom, meu espírito de poliana já me contou: 15 dias em casa, tempo até demais para descansar depois de 3 anos sem férias. E fantástico que isso não aconteceu na semana do casamento, porque eu certamente não casaria assim.

Estou inchada como a princesa Fiona do Shrek, na versão Ogra. A catapora foi cruel suficiente para atingir meu rosto mais do que qualquer parte de meu corpo. E virei a noiva caipira, cheia de bolinhas (não aguento mais esta piada).

Estou feia, coçando, dolorida, aprisionada, com febres constantes e ainda corro o risco de casar toda manchada (e viva o Photoshop!)

Não estou nem no meio do processo, mas já desafio qualquer noiva com relacionamento saudável a apontar um desastre maior às vésperas do casamento...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Visita à casa




A semana está sendo muito puxada. Depois de passar o fim de semana viajando e trabalhando, visitas consecutivas à fornecedores de casamento tomam-me o tempo. Ontem foi o dia de visitar a casa onde será a cerimônia, casa esta onde passei férias douradas, fins-de-semana de intensa liberdade e contato com a natureza, onde comemorei os mais esperados aniversários de infância, casa que é o legado da família Barata agora ameaçado pela violência dos tempos modernos.

Sempre soube que um dia casaria ali.
E voltar ontem, depois de tanto tempo, vendo a casa abandonada por nós pelos infortúnios provocados pelo crime, foi ver como ela resiste, impávida.
A casa tem alma própria, e reflete cada dia de felicidade vivido ali.
Ela estava ainda mais bonita. A grama frondosa se estendia por todo o terreno. Sem as marcas de pneus de carros entrando e saindo diariamente, era um tapete para os cães saltitantes que comemoravam a imensa vida que toma conta da casa. Os pilares também estavam vivos, abraçados por imensas plantas de folhas magnificentes. Eu já havia me esquecido a quão viva era minha casa!

Confesso que me emocionei. Fui imaginando cada cena da cerimônia e da festa acontecendo.
Me vi entrando nave adentro, em direção ao altar.
Vi meus amados convidados bebendo e dançando, meus primos me abraçando, meus padrinhos rindo alto e contando as mesmas histórias que já sei, e que não me canso de ouvir contarem...
Pude ver até vislumbrar meu pai na ponta da varanda, já esquecido do alto investimento que o incomodou durante os meses de preparação, e com um sorriso de anfitrião que toda noiva sonha ver nos lábios do pai no dia D. (ou C, sei lá)

Os comentários de meus acompanhantes só enalteceram a casa que tanto amo.
Confirmei: escolhi a casa perfeita para o tema perfeito. Ganhei um novo gás para continuar.
Tudo isto vai valer a pena.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Noivas Neuróticas


Eu comecei a catequizar o noivo caipira há umas duas semanas para assistirmos mais filmes e programas sobre casamento e vida de casais. O primeiro foi uma sábia escolha: Noivas Neuróticas, se não me engano, do People and Arts.

Ele, que me acha ansiosa, e as vezes nervosa, aprendeu bem o que é uma noiva estressada. Aliás, psicopata, porque o casting daquele reality com certeza foi feito com pacientes usuárias de tarja preta.

Eu posso estar enganada, mas quanto mais velha a gente casa, menos neurótica a gente deve ficar com o casamento. O que mais me estressa na vida são consequências de escolhas com as quais não estou acostumada a lidar, pras quais não tenho maturidade. AINDA. Por que acredito que é enfrentando como se tivéssemos escolhido aquilo que torna a lição mais suave, o caminho menos difícil.

Sempre que penso no casamento, penso na infinidade de coisas que tenho que escolher e que não havia imaginado. Não conseguiria me imaginar casando aos 18 anos. Talvez por ser filha de uma família amorosa, de um lar acolhedor, por não ter por que fugir do ninho, acho casar um tantão de coisas, uma enxurrada de escolhas que as vezes parecem se atropelar, de tantas que são.

Dá vontade de criar vias e semáforos em minha cabeça: essa idéia pára, que a outra vai cruzar a pista. Ai meu deus, lá vem o trem!! Pera, peraaa, não atravessa com sinal fechado nãaaaao, ainda não acabei de pensar naquilo!!!

Ainda me acho, as vezes, nova para lidar com tantas decisões, com tanta mudança.

Mas a verdade é que elas me deliciam. O casamento é o desafio que faltava em minha histérica existência.

A super-mulher está sendo posta à prova.

Enquanto um super-homem puder me entender e me amparar está tudo certo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Se ansiedade matasse eu fundaria o cemitério das noivas!




Eu estou numa dúvida terrível: não sei se deveria ter me preocupado com as coisas de meu casamento a mais tempo, ou se quero que ele chegue logo e se acabem os preparativos, a correria, as indecisões, as opiniões e a ansiedade.

Ansiedade faz blog.
Ansiedade engorda.
Ansiedade emagrece.
Estressa, dá sono.

Ansiedade é como TPM, a gente pode pôr nela a culpa do que a gente quiser.

Eu não sei se não vejo a hora de casar, ou de me mudar, ou de acabar com essa correria, ou de deixar de ser nômade. Estou há um ano fazendo estágio de cigana: casa de mãe - casa de sogra, e quando achei que só dava pra ficar melhor que isso, agora os fornecedores caíram no meio do roteiro.

Tive um fim de semana de páscoa longe de tudo, e achei que minha noividade ia ficar em paz até descobrir outras noivas tão, mais e menos ansiosas do que eu. Puxar fila é fogo, a gente tem que fazer bonito...

E noiva tem ímã, nunca fui em um lugar onde houvesse uma noiva só, e dane-se a falar de casamento!!!
Ê lelê!

Até eu já estou me cansando as vezes...

Mas isso é só até o próximo fornecedor, e eu desato a falar tudo de novo!

Hehehehehe

Que chegue logo este bendito dia, pra eu voltar à culpar a pobre da TPM!!!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Escolhas


Ahhh!

Como eu queria que todo o processo noivístico se resumisse a escolhas simples, como escolher o buquê!

O tempo passa muito rápido entre a escolha da data e o dia do casamento. Este contador aqui no blog me lembra todos os dias que a cada segundo, perdi um segundo para fazer escolhas. E noivar é escolher. Desde escolher casar e com quem casar, até escolher a sogra, o bolo, o padre, o buffet, os padrinhos, o vestido...

Costumo ser uma pessoa indecisa, e o exercício me tem feito um bem enorme. A nova maneira de escolher é: gostei, paro aqui, tá escolhido, e vamos para o próximo item que essa lista parece não ter fim.

Agora compreendo porque tem tanta gente que um ano antes já tem uma pasta com 1350 orçamentos de cada item. É como ir na C&A: você quer uma coisa, não acha exatamente o que quer acaba experimentando 5 ou 6 outras coisas que lhe cruzaram o caminho só porque não tem vendedor pra encher seu saco.

Isso é a parte boa dos fornecedores de casamento: acho que eles estão acostumados a lidar com noivas neuróticas, e nos poupam daquela encheção de saco "me contrate por favor".

Eu estou encontrando o que quero, e isso tem me feito uma noiva extremamente feliz!

terça-feira, 4 de março de 2008

Noiva On Tour


Desde a semana passada soma-se à minha atividade noivística um novo desafio: ser pesquisadora itinerante. Ganhei um roteiro de cidades no Brasil onde irei para trabalhar em minha nova, revolucionária e instigante atividade de pequisa qualitativa com toooooodo o público alvo da empresa.

Ainda não sei como conseguirei ser (boa) filha, (boa) noiva, (boa) neta, (boa) sobrinha, (boa) funcionária e (boa) amiga e passar os fins de semana fora do estado trabalhando. Mas minha histeria tanto me oprime quanto exalta o quesito “desafio”.

Odeio sentir que estou fazendo a mesma coisa sempre, e aqui revogo a reclamação da noividade como estado temporário: ser noiva a vida toda deve ser uma boa bosta.

Então me perdoem as ausências ao longo deste ano: estou ocupada em viajar, trabalhar e noivar.

AAH, e me aproximar dos Chuianos, claro!